A virada do ano no Penedo, acompanhado de todos vocês

A virada do ano no Penedo, acompanhado de todos vocês

Não nego a minha idade. Posso mesmo até parecer que tenho mais, em função da barba e cabelos brancos. Outro dia,  a minha mãe, que está chegando aos 96, ao ver um filme que mandei para ela, exclamou para meus filhos: ele está um velho !!! Mas estes cabelos brancos são uma tendência de família que vem do lado dela. Começaram a chegar, eu tinha pouco mais de 25 anos. Mas o corpo é ainda jovem, a mente é ativa, inquieta e quer mais; e a alma voltou no tempo, e vem resgatando histórias e estórias que vêm compondo a minha vida até agora. Um doce regresso. Um regresso também à vida numa Aldeia. Mas bem próximo a um grande centro, que é Lisboa. Resgate…

Faz 63 anos que comemoro a virada do ano em família. Hábito que vem de longe. Não me recordo dos primeiros anos com papai vivo mas, conta a minha mãe, que ele nos dava uma bicada de vinho do porto ou de champanhe. Eram viradas de ano em família.

A medida que o tempo passou – papai já não era mais vivo – as comemorações de Natal e Ano Novo se alternavam entre a casa dos meus tios e padrinhos e a casa de minha mãe. Até algumas pessoas, que nunca foram lá, lembram do bacalhau e do rosbife do dia de Natal que ela servia, de tanto que se comentava nos dias a seguir. A família foi crescendo e as comemorações se distribuindo entre a casa dos meus sogros, e dos sogros de meu irmão Ricardo. Mantinha-se a tradição do dia 25 de dezembro, sempre na casa de “mãezinha”. Eram muitas e tantas comemorações. Tradição…

Com a minha mudança para São Paulo, assumimos em casa os festejos. E não foram poucos. Foi a consagração da minha perua, de invariáveis 4 Kgs, bem tenras, e que saiam do forno para mesa, servidas com farofa doce e salgada. Havia ainda o bacalhau e, depois da mudança para Portugal, o cabrito e o arroz de pato com chouriço engrossaram a ceia.

Mas “falo” tudo isso por que?

Este ano, com filhos espalhados entre o Recife – Camila, que mora em SP, foi passar o final de ano com a mãe, o irmão e sobrinha Manuela –  Inglaterra e Portugal, resolvi fazer diferente: passar  o Ano Novo comigo. No ano passado já não passei junto das minhas crias, pois eu estava em SP. Independência…

O que peço que compreendam – e foram tantos os que ligaram e enviaram mensagens “com uma certa preocupação”, e eu agradeço o carinho – é que não fiquei só, mas sim comigo mesmo, numa experiência maravilhosa de reflexão. Um final de ano fora da caixa. Que recomendo. Se acharem que é muito, gozem desta experiência de três dias em silêncio quase absoluto e voltados para si, que verão o quanto é bom. Clareza…

Fiz trilhas, cuidei de plantas, arrumei a casa e as ideias. Deixei a mente livre, meditei e fiz Yoga. Não faltaram uns pratos gostosos, mas não muito diferentes do dia a dia. Não teve  a tradicional perua, o cabrito e o arroz de pato. Seria um exagero. Foi tempo de testar o Bacalhau Cozido à moda do Alentejo, de comer um borrego com feijão branco e à noite um caldo verde. Com vinho e broa de milho. Origens…

Os passeios foram maravilhosos e o resultado deles vocês podem ver na minha página do Facebook: um conjunto de fotos da Quinta onde vivo, na minha casinha; das flores e plantas, das ruas e muros, das fontes e casas, das vistas do Penedo. E isto deu suporte à minha passagem de ano. E eu posso sentir em mim, vivenciando esta paz, e desconectado do mundo. Descanso e gratidão.

Eram viradas em família e continuam a ser, pois cada um deles – meus filhos, noras, neta, mãe e irmãos – estão sempre dentro de mim. E todos vocês. Estamos sempre juntos.Todos os 363 dias do ano…E porque não estariam justo no Natal e no Ano Novo. Presença interior…

Quem sabe no próximo, não nos juntamos todos num só lugar?

Um Feliz 2017, de cá do Penedo – Aldeia do Espírito Santo, Sintra.

Penedo, 01jan2017

Graduado e Pós-Graduado pela Fundação Getúlio Vargas em São Paulo, é especialista em Marketing, Estratégia, Modelagem e Estruturação de Negócios, no Brasil e em Portugal, através da B4-Business Solution. Foi professor de Estratégia e Marketing da Universidade de Pernambuco. Luso-brasileiro, vive em Portugal desde 1996. De lá para cá, percorreu cada canto do país, conhecendo e vivenciando tudo aquilo que Portugal oferece de melhor. É apaixonado por este país de uma dimensão cultural muito maior que o seu tamanho geográfico e populacional. É co-fundador e gestor do PortugalSim.

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