APRECIAR OS OUTROS E A COMPAIXÃO

APRECIAR OS OUTROS E A COMPAIXÃO

Nada mais difícil de encontrar, nos tempos de hoje, com egos inflados, alguém que aprecie os outros.

E o que é apreciar os outros?

Em primeiro lugar é se sentir diferente, único. Mas nem por isso melhor. Considerar que alguns sinais que o mundo ocidental proclama como de superioridade e sucesso, estão ligados a medidas materiais e de prestígio social, quaisquer que tenham sido os métodos para se chegar lá.

É ouvir, tentar compreender, não julgar e estar de lado do outro nas dificuldades que a vida costuma trazer.

A seguir, perceber que a vida não foi igual para todos. Que alguns nasceram com menos potenciais e recursos para esta corrida desenfreada pela acumulação e sucesso na sociedade. Que não tiveram berço, pais ricos, estudos suficientes, saúde e apoio.  E que não aceitaram vender a alma para conseguir este feito.

Nos tempos de hoje, e me refiro a este último item, ser honesto, procurar ajudar aos outros, dividir, casar por amor e manter-se casado por este mesmo motivo, são todos elementos dificultadores– verdadeiros handicaps – nesta competição. E são só alguns exemplos.

Acontece, que viver não é competir, mas sim, ajudar, apoiar, dividir.

Viver é um ato individual, entrelaçado no coletivo. É exercer, no dia a dia, a pratica da compaixão, de forma natural. É ter uma mente que aprecia, sem preconceito e parcialidade, todos os seres. É ter uma prática de vida que se fundamente na igualdade, respeito e interdependência entre todos os seres vivos. E isto só se consegue quando apreciamos o outro e não competimos com ele. E não nos medimos com ele. Cria-se assim, ou fortalece-se para quem já o tem, o sentimento de compaixão.

A falta desta compaixão explica tudo o que se passa no globo. E para a grande maioria das pessoas, a penúria de vida da maior parte da sociedade é um problema distante que não toca a sua alma.

Já está passando muito da hora de acordarmos e pormos o mundo de cabeça para baixo

 

RL

Aldeia do Penedo  25nov17

Graduado e Pós-Graduado pela Fundação Getúlio Vargas em São Paulo, é especialista em Marketing, Estratégia, Modelagem e Estruturação de Negócios, no Brasil e em Portugal, através da B4-Business Solution. Foi professor de Estratégia e Marketing da Universidade de Pernambuco. Luso-brasileiro, vive em Portugal desde 1996. De lá para cá, percorreu cada canto do país, conhecendo e vivenciando tudo aquilo que Portugal oferece de melhor. É apaixonado por este país de uma dimensão cultural muito maior que o seu tamanho geográfico e populacional. É co-fundador e gestor do PortugalSim.

3 thoughts on “APRECIAR OS OUTROS E A COMPAIXÃO

  1. Muito bom, Renato. Gostei muito do título do texto. Verdade, a empatia, a compaixão e se colocar no lugar do outro faz toda a diferença. Humaniza.
    Ainda bem que nem todo mundo se enquadra nos aspectos negativos das suas reflexões. Ainda há esperança. Haverá sempre.
    Parabéns!
    Lucia Ramos

  2. Excelente texto Renato! Lembro uma frase de Saramago “É urgente recuperarmos a lucidez e resgatarmos o afeto”. A compaixão e o olhar para o outro passam por sermos afetados pela sua dor e termos a lucidez para sair do modo individualista de vida e contemplamos o mundo como uma casa coletiva. Parabéns por olhar nesse direção! Bj

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