As indignações que definirão os votos nestas eleições de 2018

As indignações que definirão os votos nestas eleições de 2018

As eleições refletem como está sendo a vida nos últimos tempos. O passado longínquo se esvai, dada a nossa natureza esquecida. E as demandas não atendidas do presente condicionam as nossas opções e escolhas. Estas não poderiam ser diferentes.

O Brasil descarrilhou. Ou melhor descarrilharam o nosso país.

Nada funciona. O governo arrecada o que pode para pagar o seu custeio e não devolve nada à população em termos de serviços básicos e infraestruturas. O país não evoluiu naquilo que é essencial, ou seja, educação, saúde, pesquisa e desenvolvimento e condições de vida à sociedade. Não se modernizou na gestão da coisa pública. A moral, os conceitos de honestidade e os princípios e valores relativizaram-se. Virou um país promíscuo, “sem modos”, deseducado.

A criminalidade assumiu o país através do crime comum feito à luz do dia, quase sempre com violência. E mais, tráfico de drogas e crimes de corrupção nesta funesta associação entre políticos e grandes empresários. E o pouco que se fez em termos de distribuição de renda foi um programa de compra de votos chamado bolsa família.

Há medo e muita incerteza quanto ao futuro. E é neste clima de alguma ou muita tensão que serão escolhidos o Presidente e Governadores dos Estados da União, Senadores, e Deputados Federais e Estaduais.

Poderia arrolar mais uns três ou quatro parágrafos do que os governos do período democrático fizeram com este país, mas esta não é a motivação destas linhas.

As eleições refletem a vida nos últimos tempos, como escrevi acima, logo no primeiro parágrafo. E há seis indignações que levaram a sociedade – até que enfim – a se rebelar. E que poderão levar Bolsonaro à presidência já no primeiro turno.

  1. Ninguém suporta mais sair de casa sem saber se volta. A população quer ordem e segurança;
  2. Não dá para ignorar mais os privilégios e impunidade da classe política. Ela quer penas rigorosas para todos os crimes;
  3. Ver o estado gigantesco sorver os recursos arrecadados da população, e não receber nada em troca. A sociedade quer redução e maior eficiência do estado e privatizações;
  4. A nossa sociedade não aceita mais o desvirtuamento da nossa moral e costumes. Ela quer um choque de moralidade;
  5. A pessoas acordaram para o perito comunista, ajudados agora pelo descalabro humanitário da Venezuela, conduzida pelos irmãos bolivarianos do PT. Os brasileiros querem de volta a nossa bandeira e o nosso sentido e orgulho de pátria;
  6. A população está farta do político tradicional. Votará na esperança da mudança. Renovação…Doa em quem doer, assumindo os riscos da mudança.

E a novidade é que ela tem pressa…

Dos candidatos disponíveis na prateleira destas eleições, apenas um percebeu isto e assumiu como mantra nas linhas gerais da sua campanha: Jair Messias Bolsonaro.

Os outros nada têm a dizer, pois representam a forma de estar e os políticos que tem o poder desde a redemocratização. E nada fizeram a não ser lotear o país e saqueá-lo sem pudor. Se não fizeram o que deveria ser feito, não vai ser agora que irão fazer.

E surge então Bolsonaro, praticamente sem partido, independente e colocando esta agenda nas prioridades do seu governo. Os resultados estão aí e as classes políticas comprometidas com esta parte podre da nossa sociedade promíscua estão em pânico imaginando o seu futuro.

Aos longo dos próximos dias vou discorrer sobre cada um dos candidatos mais relevantes. Como os vejo incapazes de resolver esta agenda descrita acima.

 

RL

Aldeia do Penedo, Sintra – Portugal

Foto: RL

Janela do Café Cantinho da Várzea, Colares

Em tempo: não sou político, muito menos cronista político ou cientista político. Sou um cidadão brasileiro indignado com o estado da nação, que saiu do seu país no ano da graça de 1996, mas que ainda continua a torcer por ele.

PS: Escrevo, não para convencer ninguém, mas sim para me ajudar a pensar, a organizar as minhas ideias e opiniões. Não escrevo porque acho que estou certo. Apenas quero uma referência para fazer crescer as minhas convicções, ou para saber quando, e porque, mudo de opinião. Escrevo para que quem discorde das minhas opiniões tenha mais uma oportunidade para pensar e ter convicções sobre o que pensa. E para quem concorde, saiba que não está só no mundo. E, finalmente lembro, que quem escreve é refém do momento, e de como é e pensa, neste mesmo momento. RL

Graduado e Pós-Graduado pela Fundação Getúlio Vargas em São Paulo, é especialista em Marketing, Estratégia, Modelagem e Estruturação de Negócios, no Brasil e em Portugal, através da B4-Business Solution. Foi professor de Estratégia e Marketing da Universidade de Pernambuco. Luso-brasileiro, vive em Portugal desde 1996. De lá para cá, percorreu cada canto do país, conhecendo e vivenciando tudo aquilo que Portugal oferece de melhor. É apaixonado por este país de uma dimensão cultural muito maior que o seu tamanho geográfico e populacional. É co-fundador e gestor do PortugalSim.

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