Andava ansioso com esta lua que falavam ser a maior – a mais próxima da terra – desde 1948. Como se essa distância mais curta facilitasse tocá-la com a mão. Ou que alguém que está do lado de lá, pudesse saltar para o lado de cá. Tudo em vão.
A lua sempre para mim andou muito próxima. Nos tempos das serestas, era o pretexto para, junto com o velho amigo Lertinho, andar à procura de uma janela que se abrisse, de um muro bom para se sentar e das meninas que descessem e nos acolhessem, nos ajudando a cantar.
O Laerte não cantava e nem tocava, mas sabia as letras todas de cor. Era só eu olhar para ele, e ele começava a cantarolar e eu seguia a cantar. Era a minha memória musical. Mas o papel dele não parava aí. Carregava um saco de limão, uma faca amolada, uma boa cachaça, um pouco de açucar e um pilão . E um eterno bom humor. Ainda hoje, quando a lembrança dele me vem a alma, minha boca se abre em sorriso.
É claro que havia a necessidade do consentimento dos pais das meninas ou dos irmãos. E da benevolência de nos trazer um pouco de gelo. Asseguro que o apelo da lua ajudava.
A lua também fez parte intrínseca de minha vida num dos esportes que mais pratiquei, pois dela dependiam as boas pescarias. Quando ela estava em quarto – seja ele minguante ou crescente – era a hora de ir mergulhar, próximo a foz dos rios, na busca dos camurins. Nas noites escuras de lua nova, íamos atrás das agulhas. Trocávamos de praia – Conceição, Maria Farinha, Tamandaré ou Barra Grande – mas o objetivo era o mesmo. De facão ou rede, com fachos ou candeeiros a gás, eram dezenas de agulhas brancas prontas para serem comidas fritas, acompanhando as cervejas geladinhas até o amanhecer. Por vários anos de minha vida, vivi das marés. E estas, das fases da lua.
A dita lua – e olhem que é a mesma – esteve presente também nos plantios do sitio de Mairiporã, onde vivi de 1991 a 1996 quando mudei com a minha família para Portugal. Sob a batuta do Sr. Nelson, nosso caseiro baiano que entendia das coisas do criar e do plantar. Segundo ele, semear, só no quarto crescente, para ser boa a germinação. Fico pensando comigo, se não deveríamos começar namoros nas luas de quarto crescente, para o amor germinar também.
Hoje ela veio no seu maior tamanho. Em 1948, eu não era nem uma ideia.. E na próxima, certamente não estarei por aqui como este Renato, que ora escreve. Tinha que render esta homenagem a quem sempre foi presente na minha vida. E prestei.
Fui à marina, tirei algumas fotos, fiz este breve filme, pausei e orei. E a lua me presenteou com este brilho no mar.
RL
Cascais, 14 de Novembro de 2016

Parabéns Renato a lua sempre merece nossa saudação, é sempre bom lembrarmos dos momentos agradáveis e viva a lua
Olá Tânia. Não só agradáveis mas como únicos. Não espero estar vendo a lua em 2052..:) E temos que dar um espaço a nossa alma para ela crescer. Muita gente tem se descuidado disso.
Um bom domingo.
RL
Estou em Lisboa, quando tiver um tempinho, podemos conversar e tomar um cafe, um vinho. Meu contato 961688124, um abraco, Tania Maria
Olá Tânia.
Você fica até quando? O meu contato 919585184.
Um abraço
RL