Gargalos na construção

Solução para os gargalos da construção pode vir de Portugal

Nos últimos anos, temos assistido um desenfreado processo de expansão nas atividades, direta ou indiretamente,  ligadas ao setor da construção civil no Brasil e, em particular, no Nordeste brasileiro. A estabilização dos níveis inflacionários em patamares mais baixos aliada ao aumento do poder aquisitivo da população brasileira – 30 milhões de pessoas migraram da classe D para C;  6 milhões da C para a B –  à volta de mecanismos de financiamento e o crescimento da economia, explicam este fenômeno recente. E que promete se estender por pelo menos mais uma década. Some-se a tudo isto, as características demográficas da sociedade brasileira, um fator impulsionador da nossa economia com efeitos até, pelo menos, 2030.

Por outro lado, Portugal, que nas décadas de oitenta e noventa, viu crescer a sua economia a taxas elevadíssimas, em função da sua reconstrução,  alavancado pelos recursos advindos  da sua adesão à Zona Euro, vive hoje um período de “conta gota de obras” que já não é capaz de manter a atividade básica desta indústria  e,  provavelmente, por muitos anos.

Neste quadro apontado acima, destaco as seguintes oportunidades:

  1. Há, em todos os segmentos funcionais – de engenheiros a mestres de obras – recursos humanos especializados e de alto valor, dispostos a emigrar para o Brasil. O fato de falarmos o mesmo idioma, facilita e torna mais rápido a absorção deste capital humano, integrando-os nas empresas;
  2. Empresários, com experiência, visão, vigor econômico e capitais disponíveis, procuram  parceiros para desenvolverem suas actividades empresariais no Brasil;
  3. Há materiais e modelos contrutivos diferentes que, eventualmente,  poderão ser utilizados ou adaptados para serem aplicados no Brasil;
  4. Uma grande quantidade de projetos de desenvolvimento tecnológico, em parcerias universidade/empresa, que poderão ser implementados nas construções. E este modelo de investimento conjunto, muito activo em Portugal,  poderá ser replicado no Brasil;
  5. Há empresas que produzem materias de construção dispostas a se instalarem em território brasileiro.

Estas oportunidades indicadas acima – entre outras que o espaço não permite enumerar – poderão ser fundamentais para resolverem os estrangulamentos que já são sentidos no mercado da construção civil no Brasil. E, se não forem agarradas, implicarão em atraso de obras, aumento nos custos e dos preços de venda dos imóveis e no não aproveitamento  da plenitude deste ciclo virtuoso no qual o Brasil se insere nos dias atuais.

Vivemos no mundo global. Precisamos pensar e agir globalmente, mesmo nas nossas atividades locais. Pensar globalmente é aceitar como disponíveis para o seu negócio, os recursos humanos, o capital,  a tecnologia, os clientes, os fornecedores, as ideias, tudo isto em escala global. E Portugal aqui tão perto.

Parecem muitas oportunidades, correto? Por que não começar a explorá-las já?

Renato Leal – Estrutura negócios, atuando no Brasil e  Portugal (B4 Business Solution) e é o responsável pela Ecochoice no mercado  brasileiro.

OBS: Coluna escrita para a Edição 56  da Revista Construir Nordeste, em Janeiro de 2011

Renato 01B

Graduado e Pós-Graduado pela Fundação Getúlio Vargas em São Paulo, é especialista em Marketing, Estratégia, Modelagem e Estruturação de Negócios, no Brasil e em Portugal, através da B4-Business Solution. Foi professor de Estratégia e Marketing da Universidade de Pernambuco. Luso-brasileiro, vive em Portugal desde 1996. De lá para cá, percorreu cada canto do país, conhecendo e vivenciando tudo aquilo que Portugal oferece de melhor. É apaixonado por este país de uma dimensão cultural muito maior que o seu tamanho geográfico e populacional. É co-fundador e gestor do PortugalSim.

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