O que vem destruindo o Brasil

O Brasil anda por um fio.

A capacidade de sua economia ser produtiva e pagar por alguns erros está se esgotando. E a consequência será o caos social, com marcas indeléveis – e mais dramáticas ainda – na sua História. Há muito que falo disto, mas vou me resumir a  quatro conceitos livremente aceitos no Brasil, isto para não me estender muito…

O primeiro deles é o do Privilégio e dos direitos adquiridos. Isto é uma ideia que tem que ser jogada no lixo e repensada à luz da nova economia e da real situação do país. Dispensar de forma criteriosa 30%  (pode ser um pouco mais ou um pouco menos) dos quadros da administração pública não implicaria em perda da sua eficiência, mas sim, uma melhora. Os querem trabalhar, não teriam que carregar os que não querem. Junto a esta medida, iniciar um processo de distribuição de renda interna na função pública. Há gente ganhando balúrdios e outros sobre remunerados. Sem uma política pública de remuneração, permanece a distorção – que inclusive conheci quando por dois anos vivencie uma experiência no setor público – de que poucos trabalham, uns ganham muito e outros ganham pouco.

Outro conceito interessante é o da autoridade pública. É hora dos funcionários públicos se assumirem como servidores da sociedade. Somos nós que pagamos, através dos impostos, os salários destes. Nada mais justo que eles estampassem no crachá o termo Servidor Público, e agissem como tal. Eles têm que ter consciência das suas obrigações, e não só dos seus direitos. E que em qualquer país do mundo assume-se a função pública, não  para enriquecer, mas sim, para se ter segurança e prestígio pela missão que cumpre para a sociedade. É uma remuneração de reconhecimento e prestígio. E por isso, em muitos países, principalmente as funções legislativas sequer remuneram. Há uma simples ajuda de custo. E sem a teia de assessores que dilapidam, sem trabalhar, o erário público.

Outro conceito espúrio é que o país é grande demais para entrar em convulsão. Balela…os riscos são os mesmos de qualquer país. A diferença é que poderá ser – agora pela sua dimensão – mais trágico.

O pior de todos os conceitos, e deixei para o final, exatamente por isso, é o da complacência. Esta é a doença maior do nosso povo, talvez chegada a nós dos índios e dos negros escravos, que foram dominados e extorquidos com pouco a fazer na altura. Nunca chegaríamos a este ocaso, se a complacência não estivesse no nosso ADN. A se esperteza não fosse virtude…

Lá vou eu citando mais um princípio danoso ao nosso país. E há uns outros. Vamos parar por aqui.

Estamos mesmo por um fio.

RL

Cascais, 20 de Novembro de 2016

Graduado e Pós-Graduado pela Fundação Getúlio Vargas em São Paulo, é especialista em Marketing, Estratégia, Modelagem e Estruturação de Negócios, no Brasil e em Portugal, através da B4-Business Solution. Foi professor de Estratégia e Marketing da Universidade de Pernambuco. Luso-brasileiro, vive em Portugal desde 1996. De lá para cá, percorreu cada canto do país, conhecendo e vivenciando tudo aquilo que Portugal oferece de melhor. É apaixonado por este país de uma dimensão cultural muito maior que o seu tamanho geográfico e populacional. É co-fundador e gestor do PortugalSim.

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