Sobre as relações sagradas, principalmente as tardias

RELACIONAMENTOS SAGRADOS

Pela primeira vez na minha vida, ouvi de alguém, próximo a mim, a expressão RELACIONAMENTOS SAGRADOS. Foi logo no início de Dezembro do corrente ano. A partir de então, começamos a discorrer sobre esta expressão (ou conceito) e fomos preenchendo o puzzle que poderia dar sentido a ela. Segui adiante, e rabisquei estas notas breves, para este tema tão relevante.

Do que é feito um RELACIONAMENTO SAGRADO?

Pode nascer de forma natural e histórica. As maternidades e paternidades são os exemplos mais óbvios, e que fazem surgir outros de cunho e raiz familiares. São também os sócios empreendedores, os amigos das diversas fases das três primeiras décadas de vida; são os inesperados amigos que chegam com a nossa maturidade. São as relações afetivas, a primeira namorada. Os namoros que não vingaram, mas que deixaram substância e carinho nas nossas almas. E alguns anjos que aparecem nas nossas vidas e nem sabemos como. Alguns chegam e ficam. Outros seguem, sem sabermos bem o porquê. Todas juntas formam o nosso repertório de vida.

São também as relações entre os casais que vão acontecendo na nossa vida. Sim, porque cada vez mais os casamentos não duram. Mas, mesmo findos, deveriam se manter sagrados ao longo das nossas vidas. E há ainda as relações tardias, que chegam e nos deixam perplexos, absortos em sorvê-las como bençãos, com a serenidade e sobriedade que só a nossa história de vida e algum esforço nos proporciona.

O que sustenta estas relações sagradas – as tardias em particular? (É desta última que quero discorrer daqui para a frente, apesar de valer para todas).

O CUIDADO DIÁRIO recíproco, que alimenta a relação e não deixa que as diferenças não discutidas  e não assimiladas sejam precursoras de desentendimentos futuros. A prática da GENEROSIDADE é o contracanto deste cuidado. O RESPEITO pelas diferenças que permite com que as partes que compõem esta relação sagrada não percam a sua identidade e alimentem o seu propósito de vida. O RESPEITO pelos sentimentos do seu par. Há aqui um segundo sentido para a palavra respeito, que é necessário salientar. E cumprir.

O ambiente de PAZ – interior e exterior – permite que a relação se expanda, que as diferenças sejam expostas, que os problemas normais das relações e do próprio ambiente delas sejam resolvidos ou assimilados pelo casal, não dando espaço à perda de serenidade na interação. Ligado à esta paz, vem a CONFIANÇA, sem a qual pouco, ou nada, se constrói. Aliás, para ser mais preciso, tudo se destrói.

O exercício da GRATIDÃO para com o outro, para com a nossa história individual que nos colocou juntos e preparados para assim viver em harmonia, deve ser renovado numa pratica diária. A este sentimento se junta o AMOR.  Este  um verdeiro muro (ou manto) protetor desta relação, e alicerce desta obra feita.

A ADMIRAÇÃO, nas suas variadas matizes agrega e potencializa a vida diária e se agrega ao amor, há pouco referenciado. Ela supera e vence os pequenos deslizes do nosso cotidiano.

A PRUDÊNCIA ficou quase para o final. Antecipar situações de risco que venham a desmontar este puzzle. Olhar para a frente com os olhos de ver, para situações que vão se apresentando na vida e ver os efeitos de forma antecipada, é por a RELAÇÃO SAGRADA no seu devido lugar. É protegê-la e honrá-la num sem fim. Colocá-la acima de tudo.

Faltava algo a apurar para a compreensão de uma forma de estar tão complexa. Estes relacionamentos se constroem da alma para fora, no encontro das almas, na busca da UTOPIA do casal. A desconstrução de hoje, é a falta de cultivo das utopias, como elas são.

Renato 01B

RL

Recife,  12 de Dezembro de 2015

Graduado e Pós-Graduado pela Fundação Getúlio Vargas em São Paulo, é especialista em Marketing, Estratégia, Modelagem e Estruturação de Negócios, no Brasil e em Portugal, através da B4-Business Solution. Foi professor de Estratégia e Marketing da Universidade de Pernambuco. Luso-brasileiro, vive em Portugal desde 1996. De lá para cá, percorreu cada canto do país, conhecendo e vivenciando tudo aquilo que Portugal oferece de melhor. É apaixonado por este país de uma dimensão cultural muito maior que o seu tamanho geográfico e populacional. É co-fundador e gestor do PortugalSim.

7 thoughts on “Sobre as relações sagradas, principalmente as tardias

  1. Todo relacionamento deve ser regado como uma plantinha, com muito cuidado, carinho e atenção. Um relacionamento afetivo envolve, muita admiração que é o objeto cativante, o respeito que enobrece, a cumplicidade que acolhe, o companheirismo e a compaixão que os tornam únicos. Esses fatores os fazem unidos eternamente, independente se estão vivos ou não e creio ser o que se chama de verdadeiro amor.

  2. Parabéns Renato você se expressa como um poeta que é , com perspicácia e sensibilidade no seu olhar ao outro…tem talento para a literatura , e como tal deve primar por isso…

    1. Que bom que você gostou. Será bom se fizermos deste espaço uma zona de convívio de pessoas sensíveis e amigas. Beijo grande prá você. Te esperando em Portugal.
      RL

  3. Muito bom!
    Um relacionamento sagrado começa com a compreensão de nosso relacionamento com Deus que se refere num relacionamento humano harmonioso, sempre sagrado.

  4. Renato
    Acho que passei a fazer parte das suas relações tardias, embora nos conheçamos há mais de 40 anos, nunca fomos tão próximos. Aprendi a te ver de uma forma muito especial, como um amigo querido e com um carinho muito grande. Uma pena que muitos não tenham aprendido a dar valor aos amores que se foram, aos que perderam a oportunidade de valorar os passageiros dessa vida como algo precioso e mágico.
    Bjo querido, adorei ter lido você!

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